segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Natal
Bastos Tigre

Neste Natal, aí quem me dera a dita
De ir, ao teu lado, à sombra do teu vulto,
Ao menino Jesus render meu culto
Numa igrejinha simples e catita.

Longe dos olhos do Universo, estulto,
Num idílio de monja e cenobita,
Ir, num recanto silencioso e oculto,
Do amor a bênção receber, bendita.

Da natureza ouvindo a sinfonia,
Das águas, das florestas, das montanhas,
Ao teu lado passar o inteiro dia.

E à noite, ao som de músicas estranhas,
O Natal festejarmos, numa orgia
De vinho verde, beijos e castanhas.


Natal em Trovas





Vendo as luzes do Natal
a esperança se acende
tomara que não falte presente
prá todas as crianças de Resende

Aliás, pensando bem
desejo com todo fervor
que todas as crianças do mundo
recebam brinquedo e amor.

Claudionor Rosa
Resende - RJ

Infância é um brinquedo usado
que um dia a vida resolve
tomar um pouco emprestado
e nunca mais nos devolve

Vejo crianças sem casas,
orfãs de amor e carinho.
É a vida cortando as asas
de quem mal saiu do ninho!
Arlindo Tadeu Hagen
Juiz de Fora - MG

Doar sangue é doar vidas,
e nobre gesto de amor;
Vem de almas enternecidas,
de grande e excelso valor!
Therezinha de Jesus Lopes
Juiz de Fora - MG


Cristo, o Natal é seu dia!
seu dia, Cristo e verdade!
ponha um pouco de alegria
no rosto da humanidade!
Antônio Carlos Furtado
Juiz de Fora - MG


 

um conto de Natal de Clarice Lispector:

 

Via Crucis



Maria das Dores se assustou. Mas se assustou de fato. Começou pela menstruação que não veio. Isso a surpreendeu porque ela era muito regular. Passaram-se mais de dois meses e nada. Foi a uma ginecologista. Esta diagnosticou uma evidente gravidez.
— Não pode ser! gritou Maria das Dores.
— Por quê? a senhora não é casada?
— Sou, mas sou virgem, meu marido nunca me tocou. Primeiro porque ele é homem paciente, segundo porque já é meio impotente.
A ginecologista tentou argumentar:
— Quem sabe se a senhora em alguma noite...
— Nunca! mas nunca mesmo!
— Então, concluiu a ginecologista, não sei como explicar. A senhora já está no fim do terceiro mês.
Maria das Dores saiu do consultório toda tonta. Teve que parar num restaurante e tomar um café. Para conseguir entender.
O que é que estava lhe estava acontecendo? Grande angústia tomou-a. Mas saiu do restaurante mais calma.
Na rua, de volta para casa, comprou um casaquinho para o bebê. Azul, pois tinha certeza que seria menino. Que nome lhe dana? Só podia lhe dar um nome: Jesus.
Em casa encontrou o marido lendo jornal e de chinelos. Contou-lhe o que acontecia. O homem se assustou:
— Então eu sou São José?
— E, foi a resposta lacônica.
Caíram ambos em grande meditação.
Maria das Dores mandou a empregada comprar as vitaminas a ginecologista receitara. Eram para o benefício de seu filho. Filho divino. Ela fora escolhida por Deus para dar ao mundo o novo Messias.
Comprou o berço azul. Começou a tricotar casaquinhos e a fazer fraldas macias.
Enquanto isso a barriga crescia. O feto era dinâmico: dava-lhe violentos pontapés. Às vezes ela chamava São José para pôr a mão na sua barriga e sentir o filho vivendo com forca. São José então ficava com os olhos molhados de lágrimas. Tratava-se de um Jesus vigoroso. Ela se sentia toda iluminada. A uma amiga mais íntima Maria das Dores contou a história abismante. A amiga também se assustou:
— Maria das Dores, mas que destino privilegiado você tem!
— Privilegiado, sim, suspirou Maria das Dores. Mas que posso fazer para que meu filho não siga a via crucis?
— Reze, aconselhou a amiga, reze muito.
E Maria das Dores começou a acreditar em milagres. Uma vez julgou ver de pé ao seu lado a Virgem Maria que lhe sorria. Outra vez ela mesma fez o milagre: o marido estava com uma ferida aberta na perna, Maria das Dores beijou a ferida. No dia seguinte nem marca havia.
Fazia frio, era mês de Julho. Em Outubro nasceria a criança.
Mas onde encontrar um estábulo? Só se fosse para uma fazenda do interior de Minas Gerais. Então resolveu ir a fazenda da tia Mininha. O que a preocupava é que a criança não nasceria em vinte e cinco de Dezembro. Ia à igreja todos os dias e, mesmo barriguda, ficava horas ajoelhada. Como madrinha do filho escolhera a Virgem Maria. E para padrinho o Cristo. E assim foi se passando o tempo. Maria das Dores engordara brutalmente e tinha desejos estranhos. Como o de comer uvas geladas. São José foi com ela para a fazenda. E lá fazia seus trabalhos de marcenaria. Um dia Maria das Dores empanturrou-se demais – vomitou muito e chorou. E pensou: começou a via crucis do meu sagrado filho. Mas parecia-lhe que, se desse a criança o nome de Jesus, ele seria, quando homem, crucificado. Era melhor dar-lhe o nome de Emmanuel. Nome simples. Nome bom.
Esperava Emmanuel sentada debaixo de urna jabuticabeira. E pensava:
- Quando chegar a hora, não vou gritar, vou só dizer: ai Jesus!
E comia jabuticabas. Empanturrava-se a mãe de Jesus.
A tia — a par de tudo — preparava o quarto com cortinas azuis. O estábulo estava ali com seu cheiro bom de estrume e suas vacas. De noite Maria das Dores olhava para o céu estrelado a procura da estrela-guia. Quem seriam os três reis magos? quem lhe traria Incenso e mirra? Dava longos passeios porque a médica lhe recomendara caminhar muito. São José deixara crescer a barba grisalha e os longos cabelos chegavam-lhe aos ombros. Era difícil esperar. O tempo não passava. A tia fazia-lhes, para o café da manhã,, brevidades que se desmanchavam na boca. E o frio deixava-lhes as mãos vermelhas e duras.
De noite acendiam a lareira e ficavam sentados ali a se esquentarem. São José arranjava para si um cajado. E, como não mudava de roupa, tinha um cheiro sufocante. Sua túnica era de estopa. Ele tomava vinho junto da lareira. Maria das Dores tomava grosso leite branco, com o terço na mão.
De manhã bem cedo ia espiar as vacas no estábulo. As vacas mugiam. Maria das Dores sorria-lhes. Todos humildes vacas e mulher. Maria das Dores a ponto de chorar. Ajeitava as palhas no chão, preparando lugar onde se deitar quando chegasse a hora. A hora da iluminação.
São José, com o seu cajado, ia meditar na montanha. A tia preparava lombinho de porco e todos comiam danadamente. E a criança nada de nascer.
Até que numa noite, as três horas da madrugada, Maria das Dores sentiu a primeira dor. Acendeu a lamparina, acordou São José, acordou a tia. Vestiram-se. E com um archote iluminando-lhes o caminho, dirigiram-se através das árvores para o estábulo. Uma grossa estrela faiscava no céu negro.
As vacas, acordadas, ficaram inquietas, começaram a mugir Daí a pouco nova dor. Maria das Dores mordeu a própria para não gritar. E não amanhecia.
São José tremia de frio. Maria das Dores, deitada na palha, um cobertor, aguardava.
Então veio urna dor forte demais. Ai Jesus, gemeu Maria das Dores. Ai Jesus, pareciam mugir as vacas.
As estrelas no céu.
Então aconteceu.
Nasceu Emmanuel.
E o estábulo pareceu iluminar-se todo.
Era um forte e belo menino que deu um berro na madrugada.
São José cortou o cordão umbilical. E a mãe sorria. A tia chorava.
Não se sabe se essa criança teve que passar pela via crucis. Todos passam.

Natal de Poesias





Tudo tão vago

Mário Quintana


Nossa senhora
Na beira do rio
Lavando os paninhos
Do bento filhinho...



São João estendia,
São José enxugava
e a criança chorava
do frio que fazia

Dorme criança
dorme meu amor
que a faca que corta
dá talho sem dor
(de uma cantiga de ninar)



Tudo tão vago...Sei que havia um rio...
Um choro aflito...Alguém cantou, no entanto...
E ao monótono embalo do acalanto
O choro pouco a pouco se extinguiu...



O menino dormira...Mas o canto
Natural como as águas prosseguiu...
E ia purificando como um rio
Meu coração que enegrecera tanto...



E era a voz que eu ouvi em pequenino...
E era Maria junto à correnteza,
Lavando as roupas de Jesus Menino...

Eras tu...que ao me ver neste abandono
Daí do céu cantavas com certeza
Para embalar inda uma vez meu sono!...


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011


MENSAGEM DE NATAL
Na noite santa de Natal, só há uma mensagem: é a mensagem dos anjos, é a mensagem do presépio: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens bons!
O mundo afastou-se de Deus, desse Deus que é fonte de amor e de paz e tomou veredas tortuosas e sombrias.
Daí a angústia do caminho errado, daí a inquietação do rumo perdido.
Que o Menino Jesus faça brilhar com mais intensidade a Estrela de Belém a fim de que pequeninos e grandes encontrem de novo a rota de Deus. Só assim haverá amor entre os homens, só assim haverá paz.
Pela grandeza desta noite, pela suave ternura de Tua Mãe Santíssima, dá as famílias a ventura da união cristã.
Reúne, oh Menino Jesus, ao pé de teu berço divino, o pai que desertou do lar, a mãe que esqueceu o filho, o filho que um dia se afastou.
Unidos num presente maravilhoso de teu Natal cantem todos os brasileiros com alma e coração a doçura infinita desta
Noite Feliz.

Maria Augusta Dinorah Freire
(Mariúcha)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Natal Carinhoso


Noel exclamou pesaroso
vendo a cidade: - Jesus!
Quanto cartaz luminoso
e quanto teto sem luz!
Lilinha Tavares - Trovadora

O Natal é sempre um momento onde nossa vida encontra um sentido para além da rotina, do consumo e do individualismo do mundo contemporâneo. Não há sentido um Natal sem o encontro com o outro, com os amigos e familiares. Por isso estamos propensos e movidos pelo espírito de solidariedade e de partilha.
Normalmente restringimos o ato da partilha em presentear àqueles que nos são caros: familiares, amigos e companheiros do dia-a-dia. Há também os que se dispõem a presentear os que não se conhecem: crianças, jovens e idosos carentes. Este gesto é, sem dúvida, significativo e importante e precisa se manter vivo.
Nossa intenção é ampliar um pouco mais este seu gesto de partilha. É juntar esforços na busca da ampliação da cultura como símbolo real da luta pela dignidade da pessoa, pois acreditamos que quando uma pessoa lê um bom livro, uma poesia, uma crônica, ela amplia o seu olhar de mundo e se torna mais sensível e seus horizontes se abrem para um novo mundo. Será que este não é o sentido do Natal?
Junte-se a nós! Dê um livro, escreva uma poesia ou uma pequena mensagem que sirva de estímulo e afirme a vida. Se não estiver inspirado, nós oferecemos algumas sugestões para enriquecer o seu presente, acessando o nosso blog http://bancocarinhosodonatal.blogspot.com
No entanto, Natal não é só presentear, mas ser presenteado com a lembrança do verdadeiro significado que nos une: o Nascimento de Cristo. Símbolo da verdadeira partilha, esperança e do significado pleno da vida.

Feliz Natal