Natal
Bastos Tigre
Neste Natal, aí quem me dera a dita
De ir, ao teu lado, à sombra do teu vulto,
Ao menino Jesus render meu culto
Numa igrejinha simples e catita.
Longe dos olhos do Universo, estulto,
Num idílio de monja e cenobita,
Ir, num recanto silencioso e oculto,
Do amor a bênção receber, bendita.
Da natureza ouvindo a sinfonia,
Das águas, das florestas, das montanhas,
Ao teu lado passar o inteiro dia.
E à noite, ao som de músicas estranhas,
O Natal festejarmos, numa orgia
De vinho verde, beijos e castanhas.
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