terça-feira, 3 de abril de 2018
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Natal em vídeos
Uma dica para este Natal são as mensagens que as redes sociais: orkut, facebook, twitter ou um simples e-mail, podem levar. Muitos amigos e parentes nossos estão distantes, a internet pode contribuir para diminuir esta distância, taí uma boa opção de lembrança: Por que não enviar uma mensagem via web?
Uma mensagem de Natal ... Roupa Nova
Então é Natal - Meu Bom José
Noite Feliz
Então é Natal
Glória a Deus nas Alturas!
Natal é conversão
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Natal em Cordel
Maria sentia espanto
por ter sido sem varão,
mas de todo o coração
obra de Espírito Santo;
então voltou pro seu canto
com toda delicadeza
a Bíblia conta a riqueza
e ficou por mãe do menino
e por ordem do Pai Divino
Maria viveu surpresa.
por ter sido sem varão,
mas de todo o coração
obra de Espírito Santo;
então voltou pro seu canto
com toda delicadeza
a Bíblia conta a riqueza
e ficou por mãe do menino
e por ordem do Pai Divino
Maria viveu surpresa.
Guardar sempre a virgindade
Maria a Deus prometeu;
São José, esposo seu
também jurou castidade!
Mas a virgem de bondade,
que santamente vivia,
dessa forma concebia
por obra do Espírito Santo.
Gerado estava, portanto,
Jesus, Filho de Maria.
Maria a Deus prometeu;
São José, esposo seu
também jurou castidade!
Mas a virgem de bondade,
que santamente vivia,
dessa forma concebia
por obra do Espírito Santo.
Gerado estava, portanto,
Jesus, Filho de Maria.
Juvenal Evangelista/ Dimas Batista
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Mais uma vez... Natal!
Dia sem sol. Já de manhãzinha, resolvera armar a velha árvore de Natal. Puxou de cima do guarda-roupa uma grande caixa amarela, abriu-a cuidadosamente e retirou de dentro uma bela árvore verde. Alinhou os seus galhos, um a um, e vagarosamente foi desembrulhado as bolas coloridas, um pequeno papai-noel, a ponteira com sua estrela prateada, os anjinhos...
Então, num leve estremecimento, com uma sensação, misto de tristeza e saudade, pensou: "dezenove anos! Jamais vou esquecê-lo, jamais!..." E, lembrando do filho, tentava computar e ordenar os dados que jorravam aos borbotões da célere caixa de seus pensamentos: "morte, vida, festa, vida, morte, festa... É meu querido Ricardinho, após esse tempo todo, fico a imaginar meu querido Ricardinho, após esse tempo todo, fico a imaginar como serias agora: um jovem louro e alto com belos olhos esverdeados? Calmo, estudioso ou... quem sabe? Alegre, agitado e não querendo nada com os livros. A música clássica seria a tua predileta ou seria a popular?
A mamãe fica fazendo estas interrogações mas... bem sabe que jamais terá as respostas. Ela viu apenas o apagar das velinhas dos teus dois aninhos e, depois, mais nada!... Somente um ar vazio do teu calor e cheio de tudo aquilo que nunca irás experimentar. A mamãe nunca conseguirá te ver com vinte anos! Mas terá sempre aquele menininho lindo que foste. Não vais crescer nunca, em compensação: não experimentarás prantos amargurados, não saberás das injustiças que se cometem a todo momento e... nem terás que andar por aí à procura de emprego na luta pela vida. Não, nada disso! Apenas, permanecerás presente no coração da mamãe que irá te acalentar cantando as mais doces canções de ninar.
Dezenove anos! Ainda hoje continuo a me perguntar, nos momentos de folga (por isso trabalho tanto), no silêncio das noites maldormidas o "porquê" de tudo.
Tantos sonhos e esperanças! Que coisas tão lindas desejei para o teu futuro! Antecipei, com incontido prazer, os teus gestos, teus sorrisos e até as palavras de amor que um dia deverias dizer à primeira namorada. E agora, meu filho? Onde o sonho a esperança, a palavra de amor não pronunciada, o gesto, o riso, o abraço, onde? ...
Era tão cedo ainda, filho, para apagar a luz dos teus olhinhos! Cedo demais para calar a tua voz, tão doce aos meus ouvidos... Muito cedo para cessar o movimento do teu corpo... Cedíssimo para fazeres uma viagem tão longa sem a companhia da mamãe.
Mas, no entanto, fostes!... Por quê? Talvez pelo gostinho de desobedecer aos pais que os filhos sentem. Que motivo tão imperioso causou a tua partida daquele modo, tão derrepente?...
Tu sabias, se sabias!... Mamãe havia armado a árvore de Natal, preparado os presentes, a roupa nova; tudo antes, para passarmos a Noite de Natal com a vovó e vovô, lembras-te? Saímos na madrugadinha do dia vinte e quatro. Fizemos uma viagem muito agradável, respirando o arzinho puro da Serra da Mantiqueira. E, então, surges com aquela febrezinha enjoada.
-Coisa à toa (Disse-me o médico).
- Criança é assim mesmo! Falavam, com ares de sabedoria, os mais velhos.
E a mamãe sofria e se torturava junto contigo!
Depois... O golpe de misericórdia, desfechado por mãos...
(prefiro que se conservem anônimas). Sabemos que há coisas para as quais não encontramos respostas, talvez fiquem vagando pelo mundo abstrato das cogitações. Só o "fato" é concreto, doído para quem sofre as suas consequências e, para mamãe foi assim.
O resultado não se fez esperar: então, partes sozinho para a viagem sem volta! Porém, filho continuo achando que tudo aconteceu cedo demais! Poderias esperar pela volta ao nosso lar, e não usar como aeroporto para o teu voo transcendental um rincão das Alterosas.
Tão gostosos eram os dias na casa da vovó! A comidinha cheirosa do fogão de lenha, os doces em calda, os biscoitos de polvilho, as rabanadas, as roscas "cheinhas de passas"... e o melhor: as histórias do tempo antigo que o vovô contava toda as noites.
... E os passeios nas manhãs de sol, sob as árvores perfiladas ao longo da estradinha de chão? Ficávamos sempre tão surpresos com a luminosidade do ar, com o zumbido dos insetos sobre as flores e com o canto dos pássaros que enchia o espaço. E toda aquela luz parecia trazer a alegria de viver e o desejo de ser feliz.
Poderias ter esperado um pouco mais! Para as brincadeiras no parque, pela escola, o jogo de futebol, o piquenique, o amor...
Um pouquinho mais poderias esperar, filho! Ter voltado ao menos para brincar com o CARNEIRINHO DE PELÚCIA que pendia da nossa árvore (tão lindo, com seu guizo prateado preso ao pescoço por uma fita de seda azul!) e... que a cada sopro de brisa chamava por ti."
- Dona Matilde!... Parou o carro aqui em frente... Acho que os netos da senhora chegaram...
- O que foi? Ah! Sim, Renata, Já vou...
Prendeu a respiração, por instante; talvez assim, o coração doesse menos. E... na incontrolável caixa de seus pensamentos mais um tomou forma para soar forte ao seu ouvido: "é... apesar de tudo, não conheço nada melhor do que viver para continuar amando, sonhando, sofrendo, lutando, buscando..."
Deu uma última olhada par a árvore recém-montada e com um vago sorriso foi ao encontro de Gabriel e Sofia, seus netos queridos. Abrindo a porta, já com o rosto iluminado de felicidade, percebeu que a brisa, vindo de fora, fez vibrar, uma vez mais, os verdes galhos da sua velha Árvore de Natal.
Texto de Matilde Diniz Lacerda
Do livro: ANTOLOGIA GREBALISTA - Grêmio Barramansense de Letras
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Carlos Drummond de Andrade e o Natal
Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.
Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.
Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.
A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.
A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.
Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.
O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.
Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.
A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.
O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.
E será Natal para sempre.
Ah! Seria ótimo se os sonhos do poeta se transformassem em realidade.
Texto extraído do livro "Cadeira de Balanço", Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 52.
Natal em contos
Boneca de Papel
Conceição Fenille Molinaro
Thereza sorriu toda contente quando tomou nas mãos sua mais nova aquisição: uma boneca toda feita de papel.
Não era uma boneca comum, pois carregava em si todo um ano de esforço e dedicação que a sobrecarregara de obrigações e compromissos, para que pudesse conquistar aquele cobiçado objeto. Por isso ela o apertava junto ao peito e afagava com muito carinho.
O ano não havia sido fácil. As muitas atividades que tinha de exercer, para poder em casa tomava-lhe muito tempo. Por isso também não podia à escola, tendo de se contentar em aprender as primeiras letras com o padre, durante as aulas de catequese. E isso não era muito fácil, porque dobravam suas obrigações. Theresa tinha que decorar as palavras do padre e depois aprender as letras que formavam as palavras.
Decorar não era problema. Tinha boa cabeça, como sua mãe, às vezes, lhe dizia. O problema era o raio das letras!
Que confusão elas criavam em sua cabeça! Como fazer para aprender as palavras da Ave Maria escritas em latim? Repetir ela conseguia, mas imitar a letra do catequista...
Theresa, no entanto, não colocava tanta dificuldade. Sabia que tinha que passar por isso, se quisesse ganhar um presente de final de ano. Todo domingo, após a missa das 10 horas, ela ia para o salão paroquial ouvir as tais aulas de catecismo, pois só assim ganharia um ponto a mais em sua carteirinha de freqüência. No final do ano, era só contar os pontos e escolher o presente. Se fosse uma das primeiras a entrar na sala onde estavam os objetos, poderia escolher o que bem desejasse e, assim, ter um Natal bem bonito.
Ela sabia que não poderia contar com a ajuda dos pais, para ter algum brinquedo. Todos labutavam muito, mas ganhavam muito pouco e quase sempre o dinheiro não dava para aquisição de brinquedos. O máximo que conseguia era uma boa ceia natalina.
Aquele ano, no entanto, seria diferente. Havia de conseguir um presente bem bonito. Seria a coroação de um plano bem bolado. Mataria dois coelhos com apenas uma cajadada: faria a primeira comunhão e conquistaria o presente cobiçado.
O fim do ano finalmente chegou. A cerimônia na qual recebeu a Eucaristia pela primeira vez foi fabulosa. Ela vestiu um belo vestido branco, confeccionado especialmente para a ocasião. Na mão direita, carregou uma vela que seria acesa, durante a celebração. Foi tudo maravilhoso, inclusive o almoço especial que sai mãe havia preparado para comemorar aquela data!
No domingo seguinte, acordou bem cedo. Notou que o tempo estava nublado, mas não quis levar consigo a sombrinha. Sua vontade de chegar logo ao salão paroquial era enorme. Pela pontuação que conseguira, iria ser uma das primeiras a entrar na sala dos presentes. E assim aconteceu, e tão logo adentrou, correu imediatamente para a prateleira onde estava a boneca que tanto desejara. Tomou-a no colo, conferiu os pontos necessários e saiu toda feliz. Não quis falar com mais ninguém além de sua própria boneca. Correu toda contente de volta para casa, sem se dar conta que logo uma chuva torrencial iria desabar sobre si. Quando se deu conta, já era tarde demais, pois se encontrava no meio do caminho, num lugar totalmente descampado, sem chance alguma de evitar que a chuva a molhasse e à sua desejada boneca.
Vencida pela desesperança, Theresa ergueu os olhos em direção ao céu, enquanto a chuva lavava-lhe o rosto entristecido. Depois, voltou o olhar para a boneca que ia, aos poucos, se desmanchando em suas mãos da menina. Nesse momento, duas lágrimas lhe percorreram o rosto e se confundiram com as águas da chuva que carregavam, para bem longe, o sonho de um feliz Natal.
Noite de Natal - 1994
São onze horas da noite. Eu, sozinha, assistindo televisão. Ouvindo os cantores cantarem Noite Feliz. Sim feliz, pela chegada de Jesus que veio para nos salvar, prometendo o céu para aqueles que o seguem.
Eu, neste momento, me assalta um pensamento, escrever alguma coisa. Primeiro agradecer a Deus pelos filhos, que Ele me confiou e eles não me decepcionaram.
Obrigada minhas filhas. Vocês vivem o sacramento do matrimônio. Respeitando o que Deus uniu, vocês estão vivendo o que minha mão me ensinou, não de medo, mas o respeito, o amor.
Sendo exemplo para os filhos de vocês, no vestir, no falar, para esses anjos que escutam e gravam no inconsciente. Palavras não caem no chão, mas sim nos corações inocentes que vivem, mas não têm experiência da vida. Eu ainda estou aprendendo e vou aprender até o fim, nos bancos da escola da vida. Talvez fosse mais difícil, mas aprendi nos joelhos de minha mãe, e até hoje não tenho uma crítica a fazer.
Quem partiu deixou um rastro de amor, de desapego, de sacrifício, e nos deixou pobres. Só restam lembranças e saudades. Obrigada meu Deus, abençoe vocês, meus filhos e filhas. Posso dizer alegre: meus netos sigam seus pais.
Do livro: ESCREVENDO A VIDA
Poesias e Cartas - Isabel Antônia de Siqueira
Natal
Bastos Tigre
Neste Natal, aí quem me dera a dita
De ir, ao teu lado, à sombra do teu vulto,
Ao menino Jesus render meu culto
Numa igrejinha simples e catita.
Longe dos olhos do Universo, estulto,
Num idílio de monja e cenobita,
Ir, num recanto silencioso e oculto,
Do amor a bênção receber, bendita.
Da natureza ouvindo a sinfonia,
Das águas, das florestas, das montanhas,
Ao teu lado passar o inteiro dia.
E à noite, ao som de músicas estranhas,
O Natal festejarmos, numa orgia
De vinho verde, beijos e castanhas.
Natal em Trovas
Vendo as luzes do Natal
a esperança se acende
tomara que não falte presente
prá todas as crianças de Resende
Aliás, pensando bem
desejo com todo fervor
que todas as crianças do mundo
recebam brinquedo e amor.
Claudionor Rosa
Resende - RJ
Infância é um brinquedo usado
que um dia a vida resolve
tomar um pouco emprestado
e nunca mais nos devolve
Vejo crianças sem casas,
orfãs de amor e carinho.
É a vida cortando as asas
de quem mal saiu do ninho!
Arlindo Tadeu Hagen
Juiz de Fora - MG
Doar sangue é doar vidas,
e nobre gesto de amor;
Vem de almas enternecidas,
de grande e excelso valor!
Therezinha de Jesus Lopes
Juiz de Fora - MG
Cristo, o Natal é seu dia!
seu dia, Cristo e verdade!
ponha um pouco de alegria
no rosto da humanidade!
Antônio Carlos Furtado
Juiz de Fora - MG
um conto de Natal de Clarice Lispector:
Via Crucis
Maria das Dores se assustou. Mas se assustou de fato. Começou pela menstruação que não veio. Isso a surpreendeu porque ela era muito regular. Passaram-se mais de dois meses e nada. Foi a uma ginecologista. Esta diagnosticou uma evidente gravidez.
— Não pode ser! gritou Maria das Dores.
— Por quê? a senhora não é casada?
— Sou, mas sou virgem, meu marido nunca me tocou. Primeiro porque ele é homem paciente, segundo porque já é meio impotente.
A ginecologista tentou argumentar:
— Quem sabe se a senhora em alguma noite...
— Nunca! mas nunca mesmo!
— Então, concluiu a ginecologista, não sei como explicar. A senhora já está no fim do terceiro mês.
Maria das Dores saiu do consultório toda tonta. Teve que parar num restaurante e tomar um café. Para conseguir entender.
O que é que estava lhe estava acontecendo? Grande angústia tomou-a. Mas saiu do restaurante mais calma.
Na rua, de volta para casa, comprou um casaquinho para o bebê. Azul, pois tinha certeza que seria menino. Que nome lhe dana? Só podia lhe dar um nome: Jesus.
Em casa encontrou o marido lendo jornal e de chinelos. Contou-lhe o que acontecia. O homem se assustou:
— Então eu sou São José?
— E, foi a resposta lacônica.
Caíram ambos em grande meditação.
Maria das Dores mandou a empregada comprar as vitaminas a ginecologista receitara. Eram para o benefício de seu filho. Filho divino. Ela fora escolhida por Deus para dar ao mundo o novo Messias.
Comprou o berço azul. Começou a tricotar casaquinhos e a fazer fraldas macias.
Enquanto isso a barriga crescia. O feto era dinâmico: dava-lhe violentos pontapés. Às vezes ela chamava São José para pôr a mão na sua barriga e sentir o filho vivendo com forca. São José então ficava com os olhos molhados de lágrimas. Tratava-se de um Jesus vigoroso. Ela se sentia toda iluminada. A uma amiga mais íntima Maria das Dores contou a história abismante. A amiga também se assustou:
— Maria das Dores, mas que destino privilegiado você tem!
— Privilegiado, sim, suspirou Maria das Dores. Mas que posso fazer para que meu filho não siga a via crucis?
— Reze, aconselhou a amiga, reze muito.
E Maria das Dores começou a acreditar em milagres. Uma vez julgou ver de pé ao seu lado a Virgem Maria que lhe sorria. Outra vez ela mesma fez o milagre: o marido estava com uma ferida aberta na perna, Maria das Dores beijou a ferida. No dia seguinte nem marca havia.
Fazia frio, era mês de Julho. Em Outubro nasceria a criança.
Mas onde encontrar um estábulo? Só se fosse para uma fazenda do interior de Minas Gerais. Então resolveu ir a fazenda da tia Mininha. O que a preocupava é que a criança não nasceria em vinte e cinco de Dezembro. Ia à igreja todos os dias e, mesmo barriguda, ficava horas ajoelhada. Como madrinha do filho escolhera a Virgem Maria. E para padrinho o Cristo. E assim foi se passando o tempo. Maria das Dores engordara brutalmente e tinha desejos estranhos. Como o de comer uvas geladas. São José foi com ela para a fazenda. E lá fazia seus trabalhos de marcenaria. Um dia Maria das Dores empanturrou-se demais – vomitou muito e chorou. E pensou: começou a via crucis do meu sagrado filho. Mas parecia-lhe que, se desse a criança o nome de Jesus, ele seria, quando homem, crucificado. Era melhor dar-lhe o nome de Emmanuel. Nome simples. Nome bom.
Esperava Emmanuel sentada debaixo de urna jabuticabeira. E pensava:
- Quando chegar a hora, não vou gritar, vou só dizer: ai Jesus!
E comia jabuticabas. Empanturrava-se a mãe de Jesus.
A tia — a par de tudo — preparava o quarto com cortinas azuis. O estábulo estava ali com seu cheiro bom de estrume e suas vacas. De noite Maria das Dores olhava para o céu estrelado a procura da estrela-guia. Quem seriam os três reis magos? quem lhe traria Incenso e mirra? Dava longos passeios porque a médica lhe recomendara caminhar muito. São José deixara crescer a barba grisalha e os longos cabelos chegavam-lhe aos ombros. Era difícil esperar. O tempo não passava. A tia fazia-lhes, para o café da manhã,, brevidades que se desmanchavam na boca. E o frio deixava-lhes as mãos vermelhas e duras.
De noite acendiam a lareira e ficavam sentados ali a se esquentarem. São José arranjava para si um cajado. E, como não mudava de roupa, tinha um cheiro sufocante. Sua túnica era de estopa. Ele tomava vinho junto da lareira. Maria das Dores tomava grosso leite branco, com o terço na mão.
De manhã bem cedo ia espiar as vacas no estábulo. As vacas mugiam. Maria das Dores sorria-lhes. Todos humildes vacas e mulher. Maria das Dores a ponto de chorar. Ajeitava as palhas no chão, preparando lugar onde se deitar quando chegasse a hora. A hora da iluminação.
São José, com o seu cajado, ia meditar na montanha. A tia preparava lombinho de porco e todos comiam danadamente. E a criança nada de nascer.
Até que numa noite, as três horas da madrugada, Maria das Dores sentiu a primeira dor. Acendeu a lamparina, acordou São José, acordou a tia. Vestiram-se. E com um archote iluminando-lhes o caminho, dirigiram-se através das árvores para o estábulo. Uma grossa estrela faiscava no céu negro.
As vacas, acordadas, ficaram inquietas, começaram a mugir Daí a pouco nova dor. Maria das Dores mordeu a própria para não gritar. E não amanhecia.
São José tremia de frio. Maria das Dores, deitada na palha, um cobertor, aguardava.
Então veio urna dor forte demais. Ai Jesus, gemeu Maria das Dores. Ai Jesus, pareciam mugir as vacas.
As estrelas no céu.
Então aconteceu.
Nasceu Emmanuel.
E o estábulo pareceu iluminar-se todo.
Era um forte e belo menino que deu um berro na madrugada.
São José cortou o cordão umbilical. E a mãe sorria. A tia chorava.
Não se sabe se essa criança teve que passar pela via crucis. Todos passam.
Natal de Poesias
Tudo tão vago
Mário Quintana
Nossa senhora
Na beira do rio
Lavando os paninhos
Do bento filhinho...
São João estendia,
São José enxugava
e a criança chorava
do frio que fazia
Dorme criança
dorme meu amor
que a faca que corta
dá talho sem dor
dá talho sem dor
(de uma cantiga de ninar)
Tudo tão vago...Sei que havia um rio...
Um choro aflito...Alguém cantou, no entanto...
E ao monótono embalo do acalanto
O choro pouco a pouco se extinguiu...
O menino dormira...Mas o canto
Natural como as águas prosseguiu...
E ia purificando como um rio
Meu coração que enegrecera tanto...
E era a voz que eu ouvi em pequenino...
E era Maria junto à correnteza,
Lavando as roupas de Jesus Menino...
Eras tu...que ao me ver neste abandono
Daí do céu cantavas com certeza
Para embalar inda uma vez meu sono!...
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
MENSAGEM DE NATAL
Na noite santa de Natal, só há uma mensagem: é a mensagem dos anjos, é a mensagem do presépio: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens bons!
O mundo afastou-se de Deus, desse Deus que é fonte de amor e de paz e tomou veredas tortuosas e sombrias.
Daí a angústia do caminho errado, daí a inquietação do rumo perdido.
Que o Menino Jesus faça brilhar com mais intensidade a Estrela de Belém a fim de que pequeninos e grandes encontrem de novo a rota de Deus. Só assim haverá amor entre os homens, só assim haverá paz.
Pela grandeza desta noite, pela suave ternura de Tua Mãe Santíssima, dá as famílias a ventura da união cristã.
Reúne, oh Menino Jesus, ao pé de teu berço divino, o pai que desertou do lar, a mãe que esqueceu o filho, o filho que um dia se afastou.
Unidos num presente maravilhoso de teu Natal cantem todos os brasileiros com alma e coração a doçura infinita desta
Noite Feliz.
Maria Augusta Dinorah Freire
(Mariúcha)
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Natal Carinhoso
Noel exclamou pesaroso
vendo a cidade: - Jesus!
Quanto cartaz luminoso
e quanto teto sem luz!
Lilinha Tavares - Trovadora
O Natal é sempre um momento onde nossa vida encontra um sentido para além da rotina, do consumo e do individualismo do mundo contemporâneo. Não há sentido um Natal sem o encontro com o outro, com os amigos e familiares. Por isso estamos propensos e movidos pelo espírito de solidariedade e de partilha.
Normalmente restringimos o ato da partilha em presentear àqueles que nos são caros: familiares, amigos e companheiros do dia-a-dia. Há também os que se dispõem a presentear os que não se conhecem: crianças, jovens e idosos carentes. Este gesto é, sem dúvida, significativo e importante e precisa se manter vivo.
Nossa intenção é ampliar um pouco mais este seu gesto de partilha. É juntar esforços na busca da ampliação da cultura como símbolo real da luta pela dignidade da pessoa, pois acreditamos que quando uma pessoa lê um bom livro, uma poesia, uma crônica, ela amplia o seu olhar de mundo e se torna mais sensível e seus horizontes se abrem para um novo mundo. Será que este não é o sentido do Natal?
Junte-se a nós! Dê um livro, escreva uma poesia ou uma pequena mensagem que sirva de estímulo e afirme a vida. Se não estiver inspirado, nós oferecemos algumas sugestões para enriquecer o seu presente, acessando o nosso blog http://bancocarinhosodonatal.blogspot.com
No entanto, Natal não é só presentear, mas ser presenteado com a lembrança do verdadeiro significado que nos une: o Nascimento de Cristo. Símbolo da verdadeira partilha, esperança e do significado pleno da vida.
Feliz Natal
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