quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Natal em vídeos

Uma dica para este Natal são as mensagens que as redes sociais: orkut, facebook, twitter ou um simples e-mail, podem levar. Muitos amigos e parentes nossos estão distantes, a internet pode contribuir para diminuir esta distância, taí uma boa opção de lembrança: Por que não enviar uma mensagem via web?

Uma mensagem de Natal ... Roupa Nova

Então é Natal - Meu Bom José

Noite Feliz

Então é Natal

Glória a Deus nas Alturas!


Natal é conversão


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Natal em Cordel


Maria sentia espanto
por ter sido sem varão,
mas de todo o coração
obra de Espírito Santo;
então voltou pro seu canto
com toda delicadeza
a Bíblia conta a riqueza
e ficou por mãe do menino
e por ordem do Pai Divino
Maria viveu surpresa.

Guardar sempre a virgindade
Maria a Deus prometeu;
São José, esposo seu
também jurou castidade!
Mas a virgem de bondade,
que santamente vivia,
dessa forma concebia
por obra do Espírito Santo.
Gerado estava, portanto,
Jesus, Filho de Maria.
Juvenal Evangelista/ Dimas Batista

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mais uma vez... Natal!



Dia sem sol. Já de manhãzinha, resolvera armar a velha árvore de Natal. Puxou de cima do guarda-roupa uma grande caixa amarela, abriu-a cuidadosamente e retirou de dentro uma bela árvore verde. Alinhou os seus galhos, um a um, e vagarosamente foi desembrulhado as bolas coloridas, um pequeno papai-noel, a ponteira com sua estrela prateada, os anjinhos...
Então, num leve estremecimento, com uma sensação, misto de tristeza e saudade, pensou: "dezenove anos! Jamais vou esquecê-lo, jamais!..." E, lembrando do filho, tentava computar e ordenar os dados que jorravam aos borbotões da célere caixa de seus pensamentos: "morte, vida, festa, vida, morte, festa... É meu querido Ricardinho, após esse tempo todo, fico a imaginar meu querido Ricardinho, após esse tempo todo, fico a imaginar como serias agora: um jovem louro e alto com belos olhos esverdeados? Calmo, estudioso ou... quem sabe? Alegre, agitado e não querendo nada com os livros. A música clássica seria a tua predileta ou seria a popular?
A mamãe fica fazendo estas interrogações mas... bem sabe que jamais terá as respostas. Ela viu apenas o apagar das velinhas dos teus dois aninhos e, depois, mais nada!... Somente um ar vazio do teu calor e cheio de tudo aquilo que nunca irás experimentar. A mamãe nunca conseguirá te ver com vinte anos! Mas terá  sempre aquele menininho lindo que foste. Não vais crescer nunca, em compensação: não experimentarás prantos amargurados, não saberás das injustiças que se cometem a todo momento e... nem terás que andar por aí à procura de emprego na luta pela vida. Não, nada disso! Apenas, permanecerás presente no coração da mamãe que irá te acalentar cantando as mais doces canções de ninar.
Dezenove anos! Ainda hoje continuo a me perguntar, nos momentos de folga (por isso trabalho tanto), no silêncio das noites maldormidas o "porquê" de tudo.
Tantos sonhos e esperanças! Que coisas tão lindas desejei para o teu futuro! Antecipei, com incontido prazer, os teus gestos, teus sorrisos e até as palavras de amor que um dia deverias dizer à primeira namorada. E agora, meu filho? Onde o sonho a esperança, a palavra de amor não pronunciada, o gesto, o riso, o abraço, onde? ...
Era tão cedo ainda, filho, para apagar a luz dos teus olhinhos! Cedo demais para calar a tua voz, tão doce aos meus ouvidos... Muito cedo para cessar o movimento do teu corpo... Cedíssimo para fazeres uma viagem tão longa sem a companhia da mamãe.
Mas, no entanto, fostes!... Por quê? Talvez pelo gostinho de desobedecer aos pais que os filhos sentem. Que motivo tão imperioso causou a tua partida daquele modo, tão derrepente?...
Tu sabias, se sabias!... Mamãe havia armado a árvore de Natal, preparado os presentes, a roupa nova; tudo antes, para passarmos a Noite de Natal com a vovó e vovô, lembras-te? Saímos na madrugadinha do dia vinte e quatro. Fizemos uma viagem muito agradável, respirando o arzinho puro da Serra da Mantiqueira. E, então, surges com aquela febrezinha enjoada.
-Coisa à toa (Disse-me o médico).
- Criança é assim mesmo! Falavam, com ares de sabedoria, os mais velhos.
E a mamãe sofria e se torturava junto contigo!
Depois... O golpe de misericórdia, desfechado por mãos...
(prefiro que se conservem anônimas). Sabemos que há coisas para as quais não encontramos respostas, talvez fiquem vagando pelo mundo abstrato das cogitações. Só o "fato" é concreto, doído para quem sofre as suas consequências e, para mamãe foi assim.
O resultado não se fez esperar: então, partes sozinho para a viagem sem volta! Porém, filho continuo achando que tudo aconteceu cedo demais! Poderias esperar pela volta ao nosso lar, e não usar como aeroporto para o teu voo transcendental um rincão das Alterosas.
Tão gostosos eram os dias na casa da vovó! A comidinha cheirosa do fogão de lenha, os doces em calda, os biscoitos de polvilho, as rabanadas, as roscas "cheinhas de passas"... e o melhor: as histórias do tempo antigo que o vovô contava toda as noites.
... E os passeios nas manhãs de sol, sob as árvores perfiladas ao longo da estradinha de chão? Ficávamos sempre tão surpresos com a luminosidade do ar, com o zumbido dos insetos sobre as flores e com o canto dos pássaros que enchia o espaço. E toda aquela luz parecia trazer a alegria de viver e o desejo de ser feliz.
Poderias ter esperado um pouco mais! Para as brincadeiras no parque, pela escola, o jogo de futebol, o piquenique, o amor...
Um pouquinho mais poderias esperar, filho! Ter voltado ao menos para brincar com o CARNEIRINHO DE PELÚCIA que pendia da nossa árvore (tão lindo, com seu guizo prateado preso ao pescoço por uma fita de seda azul!) e... que a cada sopro de brisa chamava por ti."
- Dona Matilde!... Parou o carro aqui em frente... Acho que os netos da senhora chegaram...
- O que foi? Ah! Sim, Renata, Já vou...
Prendeu a respiração, por instante; talvez assim, o coração doesse menos. E... na incontrolável caixa de seus pensamentos mais um tomou forma para soar forte ao seu ouvido: "é... apesar de tudo, não conheço nada melhor do que viver para continuar amando, sonhando, sofrendo, lutando, buscando..."
Deu uma última olhada par a árvore recém-montada e com um vago sorriso foi ao encontro de Gabriel e Sofia, seus netos queridos. Abrindo a porta, já com o rosto iluminado de felicidade, percebeu que a brisa, vindo de fora, fez vibrar, uma vez mais, os verdes galhos da sua velha Árvore de Natal.

Texto de Matilde Diniz Lacerda
Do livro: ANTOLOGIA GREBALISTA - Grêmio Barramansense de Letras

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Carlos Drummond de Andrade e o Natal



Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.


Ah! Seria ótimo se os sonhos do poeta se transformassem em realidade.

Texto extraído do livro "Cadeira de Balanço", Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 52.

Natal em contos


Boneca de Papel
Conceição Fenille Molinaro
Thereza sorriu toda contente quando tomou nas mãos sua mais nova aquisição: uma boneca toda feita de papel.
Não era uma boneca comum, pois carregava em si todo um ano de esforço e dedicação que a sobrecarregara de obrigações e compromissos, para que pudesse conquistar aquele cobiçado objeto. Por isso ela o apertava junto ao peito e afagava com muito carinho.
O ano não havia sido fácil. As muitas atividades que tinha de exercer, para poder em casa tomava-lhe muito tempo. Por isso também não podia à escola, tendo de se contentar em aprender as primeiras letras com o padre, durante as aulas de catequese. E isso não era muito fácil, porque dobravam suas obrigações. Theresa tinha que decorar as palavras do padre e depois aprender as letras que formavam as palavras.
Decorar não era problema. Tinha boa cabeça, como sua mãe, às vezes, lhe dizia. O problema era o raio das letras!
Que confusão elas criavam em sua cabeça! Como fazer para aprender as palavras da Ave Maria escritas em latim? Repetir ela conseguia, mas imitar a letra do catequista...
Theresa, no entanto, não colocava tanta dificuldade. Sabia que tinha que passar por isso, se quisesse ganhar um presente de final de ano. Todo domingo, após a missa das 10 horas, ela ia para o salão paroquial ouvir as tais aulas de catecismo, pois só assim ganharia um ponto a mais em sua carteirinha de freqüência. No final do ano, era só contar os pontos e escolher o presente. Se fosse uma das primeiras a entrar na sala onde estavam os objetos, poderia escolher o que bem desejasse e, assim, ter um Natal bem bonito.
Ela sabia que não poderia contar com a ajuda dos pais, para ter algum brinquedo. Todos labutavam muito, mas ganhavam muito pouco e quase sempre o dinheiro não dava para aquisição de brinquedos. O máximo que conseguia era uma boa ceia natalina.
Aquele ano, no entanto, seria diferente. Havia de conseguir um presente bem bonito. Seria a coroação de um plano bem bolado. Mataria dois coelhos  com apenas uma cajadada: faria a primeira comunhão e conquistaria o presente cobiçado.
O fim do ano finalmente chegou. A cerimônia na qual recebeu a Eucaristia pela primeira vez foi fabulosa. Ela vestiu um belo vestido branco, confeccionado especialmente para a ocasião. Na mão direita, carregou uma vela que seria acesa, durante a celebração. Foi tudo maravilhoso, inclusive o almoço especial que sai mãe havia preparado para comemorar aquela data!
No domingo seguinte, acordou bem cedo. Notou que o tempo estava nublado, mas não quis levar consigo a sombrinha. Sua vontade de chegar logo ao salão paroquial era enorme. Pela pontuação que conseguira, iria ser uma das primeiras a entrar na sala dos presentes. E assim aconteceu, e tão logo adentrou, correu imediatamente para a prateleira onde estava a boneca que tanto desejara. Tomou-a no colo, conferiu os pontos necessários e saiu toda feliz. Não quis falar com mais ninguém além de sua própria boneca. Correu toda contente de volta para casa, sem se dar conta que logo uma chuva torrencial iria desabar sobre si. Quando se deu conta, já era tarde demais, pois se encontrava no meio do caminho, num lugar totalmente descampado, sem chance alguma de evitar que a chuva a molhasse e à sua desejada boneca.
Vencida pela desesperança, Theresa ergueu os olhos em direção ao céu, enquanto a chuva lavava-lhe o rosto entristecido. Depois, voltou o olhar para a boneca que ia, aos poucos, se desmanchando em suas mãos da menina. Nesse momento, duas lágrimas lhe percorreram o rosto e se confundiram com as águas da chuva que carregavam, para bem longe, o sonho de um feliz Natal.

Noite de Natal - 1994

São onze horas da noite. Eu, sozinha, assistindo televisão. Ouvindo os cantores cantarem Noite Feliz. Sim feliz, pela chegada de Jesus que veio para nos salvar, prometendo o céu para aqueles que o seguem.
Eu, neste momento, me assalta um pensamento, escrever alguma coisa. Primeiro agradecer a Deus pelos filhos, que Ele me confiou e eles não me decepcionaram.
Obrigada minhas filhas. Vocês vivem o sacramento do matrimônio. Respeitando o que Deus uniu, vocês estão vivendo o que minha mão me ensinou, não de medo, mas o respeito, o amor.
Sendo exemplo para os filhos de vocês, no vestir, no falar, para esses anjos que escutam e gravam no inconsciente. Palavras não caem no chão, mas sim nos corações inocentes que vivem, mas não têm experiência da vida. Eu ainda estou aprendendo e vou aprender até o fim, nos bancos da escola da vida. Talvez fosse mais difícil, mas aprendi nos joelhos de minha mãe, e até hoje não tenho uma crítica a fazer.
Quem partiu deixou um rastro de amor, de desapego, de sacrifício, e nos deixou pobres. Só restam lembranças e saudades. Obrigada meu Deus, abençoe vocês, meus filhos e filhas. Posso dizer alegre: meus netos sigam seus pais.

Do livro: ESCREVENDO A VIDA
Poesias e Cartas  - Isabel Antônia de Siqueira
Natal
Bastos Tigre

Neste Natal, aí quem me dera a dita
De ir, ao teu lado, à sombra do teu vulto,
Ao menino Jesus render meu culto
Numa igrejinha simples e catita.

Longe dos olhos do Universo, estulto,
Num idílio de monja e cenobita,
Ir, num recanto silencioso e oculto,
Do amor a bênção receber, bendita.

Da natureza ouvindo a sinfonia,
Das águas, das florestas, das montanhas,
Ao teu lado passar o inteiro dia.

E à noite, ao som de músicas estranhas,
O Natal festejarmos, numa orgia
De vinho verde, beijos e castanhas.